quarta-feira, 20 de setembro de 2017

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Seria Snake Eyes o L'argent do De Palma?


quinta-feira, 15 de junho de 2017

Desses detalhes que não são detalhes, mas que só são notados depois de algumas dezenas de revisões: em Carlito's Way, nunca vemos a casa de Al Pacino. O que chega mais perto disso é a boate que ele gerencia, cuja decoração remete ao interior de um navio. Nada mais apropriado para ele, personagem que vive à procura de um lugar para ancorar-se e repousar.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

"É muito natural que, quando nos tivermos entregue aos movimentos ordenados que uma grande peça ou narrativa estimula em nós - quando tivermos dançado aquela dança, respeitado aquele ritual ou obedecido àquele ritmo - isso nos sugeriria várias reflexões interessantes. Graças a essa atividade "desenvolvemos a musculatura mental". Podemos agradecer a Dante ou a Shakespeare por esses músculos, mas será melhor não lhes atribuir a paternidade do uso filosófico ou ético que fazemos disso. Por um lado, esse uso não crescerá muito - pode crescer um pouco - acima de nosso nível habitual. Muitos dos comentários sobre a vida que as pessoas extraem de Shakespeare poderiam ser alcançados até por aqueles de pouco talento sem o auxílio do escritor. Por outro lado, poderá impedir futuras recepções da própria obra. Poderemos voltar a ela especialmente para confirmar nossa crença de que ensina isto ou aquilo, mais do que para uma renovada imersão no que ela é de fato. Devemos ser como o homem que atiça o fogo não para ferver a água ou aquecer um ambiente, mas na esperança de nele ver as mesmas imagens que viu no dia anterior. E, uma vez que um texto, para um determinado crítico, não é mais do que "uma luva de pelica" - já que tudo pode ser um símbolo, uma ironia ou uma ambigüidade -, deveremos achar facilmente o que queremos. A suprema objeção a isso é que se ergue contra o uso popular de todas as artes. Estamos tão ocupados atuando sobre a obra que damos a ela pouca chance de atuar sobre nós. E é assim que, cada vez mais, encontramos apenas a nós mesmos." 

C. S. Lewis - Um experimento na crítica literária

sábado, 7 de janeiro de 2017

Sully (Clint Eastwood, 2016)


A primeira cena de Sully é um pesadelo. O piloto sonha que o avião cai no meio de Nova York. As últimas palavras dele são uma derradeira declaração de amor à esposa.

Na primeira sessão sobre o evento do pouso no rio Hudson, questionam-no justamente a respeito do casamento. Ele parece constrangido pela pergunta e, ao dizer que os problemas que possui são iguais aos de outras pessoas, parece esconder que no fundo a relação lhe causa, sim, preocupações.

A personagem da esposa de Sully é trazida ao filme em outros momentos, sempre separada fisicamente do protagonista. Eles conversam por telefone, ela reclama dos repórteres que batem com insistência à porta e do fato de a vida deles ter sido virada pelo avesso.

A relação de Sully com a esposa é o primeiro de uma série de círculos concêntricos que exploram o fato de haver uma desordem em cena: o próprio piloto (espécie de Jó), apesar dos vários anos de experiência, passa a se colocar em questão e duvidar da proeza que realizou; além disso, há um país inteiro cuja ferida aberta pelo 11 de setembro não havia ainda sido cicatrizada.

O filme de Clint Eastwood é a história de uma restauração, em vários níveis: Sully, ao final, sente orgulho daquilo que foi capaz de fazer e, através da sua história, o país volta a poder olhar para o céu com esperança e pensar que nem só os anjos têm asas  - ou que anjos existem, mas nem todos as possuem.

O filme, porém, não conclui a história de Sully com a esposa. Desde a primeira cena havia sido criada uma expectativa pelo reencontro de ambos, a superação da distância, o abraço, o retorno à normalidade, a porta fechando nas suas costas, o inverso, enfim, do final de Rastros de Ódio, ao qual Eastwood já se remeteu alguma vezes em sua obra. Não veio.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Clínica de Reabilitação Crítica

Exercícios úteis para uma clínica de reabilitação crítica:

01. Faça uma lista dos melhores filmes que você já viu. Pense se ela é realmente sua.
02. Faça uma lista dos piores filmes que você já viu. Pense se ela é realmente sua.
03. Faça uma lista de filmes que, para você, deveriam existir. Escreva sobre por que eles não existem.
04. Faça uma lista de filmes que, para você, não deveriam existir. Escreva sobre por que eles existem.
05. Escreva sobre um filme que você ama. Analise o texto: o que você diz, e como diz; o que você não diz, e como não diz.
06. Escreva sobre um filme que você odeia. Analise o texto: o que você diz, e como diz; o que você não diz, e como não diz.
07. Escreva sobre um filme que você não compreende. Analise o texto: o que você diz, e como diz; o que você não diz, e como não diz.
08. Escreva sobre um filme ao qual você é indiferente. Analise o texto: o que você diz, e como diz; o que você não diz, e como não diz.
09. Escreva sobre um filme que você memorizou. Se não memorizou nenhum, escolha algum e memorize. Analise o texto: o que você diz, e como diz; o que você não diz, e como não diz.
10. Escreva sobre um filme que você não vê há muito tempo, e de cujos detalhes você não se lembra bem. Analise o texto: o que você diz, e como diz; o que você não diz, e como não diz.
11. Pense sobre o contexto social de um filme. Escreva um texto sobre o filme sem qualquer menção ao contexto social.
12. Pense sobre a fortuna crítica de um filme. Escreva um texto sobre o filme sem qualquer menção à fortuna crítica.
13. Pense sobre as marcas individuais de um cineasta. Escreva um texto sobre um de seus filmes sem qualquer menção a elas.
14. Pense sobre as marcas convencionais de um cineasta. Escreva um texto sobre um de seus filmes sem qualquer menção a elas. 
15. Repita os exercícios anteriores, mas desta vez trocando "filmes" por "textos críticos".

Lucas Baptista e Matheus Cartaxo